Nota #6 [15/04/2014] (RJ I)

Se a luta de classes, hipótese ineliminável de qualquer marxismo, fosse empírica ela não seria uma hipótese. Diante de um fato empírico qualquer atitude, quer seja a primazia da prática ou da teoria ou da relação entre ambas, seria desnecessária para sua facticidade, acredito.

Sustentar o marxismo em relação aos efeitos perversos dessa mesma hipótese não pode depender de nenhum estado de espírito, acho. Quando a luta de classes reduz-se aos termos de seus efeitos, ou algo próximo disso, optamos pelo humanitarismo. Comumente, quem ganha com ele, da satisfação das necessidades da barriga até da fantasia, é quem socorre a vítima.

Pessoalmente, aposto que o espaço de intervenção do CEII é ele próprio e a objetividade dessa prática, em relação o mundo, se baseia na indistinção substancial dos problemas que enfrentamos dentro dele e dos problemas que existem hoje entre os que militam coletivamente. Para mim, os problemas dessa aposta são equivalentes às outras – nesse nível estamos igualmente derrotados [ainda]. O que fica perdido porque, penso, há um fetiche em relação ao que ocorre “do lado de fora”, na “prática”, na “realidade”. Sempre suspeitamos que existe algo de muito fundamental ocorrendo para além do que vemos – considerado como nos relacionamos com o mundo nessa sociedade, nada mais natural.

Não se pode qualificar uma prática, do ponto de vista que todos militantes partem, pela capacidade de “fazer” puramente porque, considerando Marx, a sociedade burguesa é com tais ocorrências e não sem elas – uma loucura, mas parece verdade. Nesse sentido, advogando essas ideias de ação, pouco acontece. Não problematizá-las, para mim, é sempre o primeiro passo para uma prática distinta das ocorrentes no mundo hoje.

Não ceder à tentação de me identificar com “O Povo” é o mais difícil.

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