Nota #6 [16/04/2013]

Uma das questões tratadas nessa reunião do Círculo foi a relação entre uma ideia criada que se torna autônoma e seus criadores. A religião seria um caso exemplar desse tipo de relação: embora deus seja uma criação humana e não exista de fato, ele possui uma capacidade de determinar os religiosos de modo autônomo. Não basta que os religiosos digam que sua religião é apenas um conto de fadas, pois deus continua “existindo” e determinando suas atividades cotidianas. Pelo que pude compreender, Feuerbach e Marx não deram conta de explicar completamente esse fenômeno, pois alegavam que a ideia não era suficientemente autônoma a ponto de determinar os indivíduos mais do que os indivíduos a determinam. O conceito de sujeito suposto saber de Zizek parece dar conta desse processo. Embora as pessoas não acreditem diretamente em algo, sua crença é “terceirizada”, ela é atribuída ao outro. Isso não afeta de modo algum como a ideia (a qual não se acredita diretamente, mas por meio de outra pessoa) determina o indivíduo “descrente”. A crença continua existindo na efetividade social, embora ela não exista diretamente; isto é, ninguém acredita diretamente e profundamente em algo, há sempre um outro a quem atribuímos nossas crenças.

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