Nota #6 [18/08/2015] (RJ I)

“O ‘POLITICISMO’ ATRAVESSA O RUBICÃO OU A RECEPÇÃO DA CRÍTICA DO VALOR NO CEII”

(Diretrizes de pesquisa para um Subconjunto de Prática Teórica em formação)

Slavoj Žižek, um dos nomes próprios que subsidiam o Círculo, colocou um problema cujo enfrentamento é nada menos que crucial para a teoria e a prática anticapitalista de nosso tempo. Trata-se da paralaxe marxista entre economia e política (Žižek, 2006). Este problema pode ser retomado por outro ângulo quando nos deparamos com a abordagem da Nova Crítica do Valor (Jappe, 2006). Com efeito, mais do que apenas um ângulo distinto, este encontro pode ser ainda mais iluminador dos impasses atualmente vivenciados na teoria e na prática anticapitalista quando colocado sob os efeitos catalisadores da crise econômica e ecológica de nosso tempo, tema candente de ambos os ângulos que aqui se pretende espreitar.

Pois bem. Na produção interna e externa do CEII, subsidiada pelos nomes próprios de Giorgio Agamben, Alain Badiou, Jacques Rancière e Slavoj Žižek, há um intenso engajamento crítico com a Nova Crítica do Valor, e especialmente com Moishe Postone, Robert Kurz e Anselm Jappe, constantemente lidos e citados por diversos membros do Círculo – portanto, a Nova Crítica do Valor também “circula” no CEII. Isso é curioso, pois os autores que subsidiam o Projeto não mantêm em suas obras um “diálogo” com a Nova Crítica do Valor – com a exceção de um capítulo da prolífica obra de Žižek.

Haveria neste curioso fato algo além de uma casualidade? Ou, para além disso, teria a atividade teórico-crítica do CEII começado a construção de uma ponte, larga o bastante para permitir o trânsito em duas vias, entre a crítica do valor e as filosofias políticas da organização comunista? Esta ponte é (ou será) segura, promissora, necessária, estratégica?

Nossa hipótese inicial é a de que a crítica feita por Kurz ao “politicismo” do marxismo tradicional (2007), não se aplica a uma abordagem que leve em consideração a crítica do fetichismo das formas sociais da produção sistêmica de mercadorias como a que circula no CEII. Além disso, com efeito, a noção de “antipolítica” ensaiada pelo próprio Kurz (1997/2002) é insuficiente para a transição entre as “lutas imanentes” e a “desvinculação” emancipatória do Estado e do Mercado por ele defendida. Isso nos leva a pensar e agir seriamente na construção de uma ponte entre a reconstruída crítica da economia política postulada pela Nova Crítica do Valor e as filosofias política de organização comunista, ponte cujo delineamentos iniciais já começaram a “circular” no CEII.

Já cruzamos o Rubicão e não há mais volta: Alea jacta est

 

 

REFERÊNCIAS INICIAIS

JAPPE, Anselm. Aventuras da Mercadoria. Lisboa: Antígona, 2006.

KURZ, Robert. Cinzenta é a árvore da vida e verde é a teoria. Disponível em: http://obeco.planetaclix.pt/rkurz288.htm (2007)

___________. Antieconomia e antipolítica. Disponível em: http://obeco.planetaclix.pt/rkurz106.htm (1997/2002)

ŽIŽEK, Slavoj. A visão em paralaxe. IN SADER, Emir. Contragolpes. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *