NOTA #6 [30/05/2017] (RJ I)

Luto e melancolia Neste texto de 1915, Freud inicia a senda que investiga as características da melancolia. Para esta finalidade, utiliza o processo do luto como parâmetro, e de antemão diz que seus resultados serão inconclusos. A distinção mais evidente entre essas duas modalidades de sofrimento psíquico se dá no fato de que no luto, reconhece-se mais facilmente o objeto perdido, ao passo que na melancolia esse objeto, essa localização, é mais complexa, inexata e de uma outra ordem. Outras distinções podem ser feitas: No luto há uma perda de interesse no mundo que cerca o sujeito, ao passo que na melancolia não é o mundo que é desinteressante, é o próprio Eu, que se caracteriza agora por este “extraordinário rebaixamento da auto estima”, (FREUD 2010, p. 175), temos ainda como característica, a falta de vergonha do sujeito melancólico para com seu estado, ele “se expõe, e se satisfaz na exposição de sua condição” (p. 177). No texto, Freud disserta que a chave para o diagnóstico clínico seria confirmar no percurso de análise as recriminações do paciente a si mesmo, como sendo recriminações a um objeto amoroso, que deste se voltaram para o próprio Eu (p. 179). A origem desta característica de sofrimento, remonta a uma decepção ou “ofensa advinda de uma pessoa amada” (p. 180), e nesta relação observa-se um abalo, tendo como resultado um deslocamento da libido para o próprio Eu. Este deslocamento, sem nenhuma utilização aparente, estabelece então uma identificação com o objeto abandonado, que possivelmente, é oriundo de um investimento narcísico. Estas observações dão conta de características importante da melancolia como sendo: a perda do objeto, a escolha objetal de base narcísica, que posteriormente regrediria para o próprio Eu, e a ambivalência, onde ódio e amor são a mole do conflito, numa luta que disputam entre si. (p. 193) FREUD, Sigmund. Luto e melancolia (1917[1915]). In:______. Introdução ao narcisismo: ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916). São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *