NOTA #6[20/05/2014] (RJ-I)

“Paulo, veremos, é uma grande figura da antifilosofia. Ora, é da essência da antifilosofia que a posição subjetiva constitua argumento no discurso. Fragmentos existenciais, que às vezes parecem casos, são elevados à posição de garantia da verdade”
Assim Badiou apresenta Paulo no capítulo II – como um antifilósofo. O que, no capítulo IV (A Teoria dos Discursos) indica tratar-se, com a introdução da originalidade de Paulo, de uma antifilosofia? Antes de tudo, é preciso compreender como a filosofia é aí caracterizada: segundo Badiou, Paulo se serve dela (em sua representação metonímica: “grego”) como de uma disposição subjetiva que o permite “tornar legível sua completa originalidade”. Se grego designa então uma disposição subjetiva cosmológica – aquela que “dispõe o sujeito na razão de uma totalidade natural”; ao mesmo tempo sabedoria, como estado interno, e intelecção da physis – a originalidade antifilosófica de Paulo não poderá consistir senão numa “acosmia e numa ilegalidade”, representadas pela assunção da absoluta novidade constituída pelo discurso do filho, o discurso do cristo. No último encontro, no qual encerramos a leitura do capítulo IV, após ter demarcado o discurso de Paulo tanto de seu duplo filosófico (o judaísmo profético) quanto do discurso síntese dos demais (a mística pascaliana), Badiou insiste na originalidade de Paulo como aquela que reivindica para si a fraqueza da ausência de todo suporte na lei. A fraqueza, entendida como prescindibilidade de qualquer fundamentação extradeclaratória, torna, portanto, o discurso de Paulo irredutível ao discurso filosófico e às suas variações (judaica e mística), assegurando sua força.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *