NOTA #7 [07/02/2017] (RJ I)

Marx, o espírito e os espectros – 047

Resumo: O trabalho procurará mostrar, primeiro, que não só um, mas pelo menos três espectros rondam a obra de Marx; em segundo lugar, que esses espectros podem ser pensados desde um elemento comum. O primeiro e mais célebre é invocado no princípio do Manifesto para designar o modo como o comunismo aparecia no mundo. Nesse caso, não se trata de conjurar o fantasma, mas de revelar a consistência mesma dessa aparição: o “movimento real” que supera, “releva” (aufheben) o “atual estado de coisas”. O segundo e nem tão célebre diz respeito justamente ao “atual estado de coisas” a ser relevado, o capitalismo. Em verdade, não se trata de um espectro, mas de um espírito: o capital, sistema de trocas cuja lógica é a lógica do espírito em Hegel. O terceiro espectro é uma legião: a ideologia. Em sua multiplicidade, ela é fundamental para suster o “espírito do nosso tempo” (o capital) desde a “superestrutura” jurídica, política, midiática etc até a dimensão fantasmática da própria “estrutura” da troca material (o fetichismo da mercadoria). Como se procurará mostrar, a unidade dessa trindade é o tempo, enquanto futuro — essa dimensão “fantasma”, que insiste em sua inexistência. Em linhas gerais, a hipótese é: o capital dá crédito ao futuro, conta com ele; a ideologia sustenta esse crédito fazendo com que tudo seja como sempre tem sido; já o comunismo não conta com o futuro nem dá crédito a ele, pois é o “movimento real” de um porvir que parte da catástrofe já consumada.

Palavras-chave: capital, comunismo, ideologia, futuro, Hegel

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