NOTA #7 [09/01/2018] (RJ I)

Fui surpreendido por uma dúvida: por qual motivo a psicanálise é importante à política?

Lembro que há uma história de articulação entre esses dois campos, tanto teórica quanto prática. Que eu saiba, existem os frankfurtianos que demonstraram interesse nos estudos freudianos sobre a psicologia humana. Em seguida, ainda num plano mais teórico, apesar de todo esforço político, tem os franceses a partir dos anos sessenta (Althusser? Foucault? Deleuze?). Acho também que isso tudo meio que se conecta com as lutas políticas identitárias que parecem colher essa história teórica da relação entre psicanálise e política no sentido de construir uma percepção crítica publicamente engajada com uma noção de individualidade, no intuito de afirmar a irredutibilidade de determinados discursos ou grupos de pessoas a outros, afim de amarrar de outro modo as distintas individualidades na arena política.

Sobre a iniciativa que o Mais-Um abriu o encontro para reunir pessoas interessadas em criar um espaço de formação para analistas, cujo vetor econômico dependeria um pouco da capacidade de implicar as diferentes escolas de formação em psicanálise, eu acharia divertido se o nome fosse “Política do Impossível”. Na minha cabeça, “impossível” é bom jeito de conectar essa iniciativa com o universo de aspirações que dão forma à galera da psicanálise – afinal, a proposta dá relevo à dimensão econômica enquanto tal e sugere uma instituição que prescinde de compromisso de orientação teórica, ao passo que afirma que a política tem mais a ver com esforço interno de reunião do que com a capacidade do campo em se comprometer com esse ou aquele princípio político. Né não?

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