Nota #7 [21/04/2015] (RJ)

307. Do sujeito revolucionário. Em capacidade de síntese e apresentação clara dos temas (conquanto mais programática do que plenamente desenvolvida, pelo fato de ser uma conferência), o texto “Como começar do começo… de novo” me parece uma das melhores contribuições (de Zizek, mas não só) para pensar a hipótese comunista. Destaco aqui apenas dois elementos do texto, ambos relacionados à questão da composição do sujeito revolucionário.

Em linhas gerais, o texto trata de duas maneiras ou pensa duas dimensões do sujeito revolucionário. A primeira questão a ser levantada e, até onde posso ver, não tratada (claramente) no texto é precisamente a da articulação. Vamos às duas dimensões:

1) em certo sentido, esse sujeito revolucionário somos (potencialmente) todos nós. Somos esse sujeito na medida em que progressivamente “excluídos” (alienados?) de ou ameaçados em elementos constitutivos do nosso ser. Esses elementos são apresentados (mais ou menos) a partir da distinção clássica entre natureza e cultura. A primeira é subdividida em dois aspectos (igualmente clássicos) o subjetivo e o objetivo. Assim, a questão ambiental ameaça nossa “natureza (ou existência) externa (objetiva)”, a manipulação genética nossa “natureza (ou existência?) interna (subjetiva?)” e a questão da propriedade intelectual “nossa cultura”. Nesse sentido, seríamos todxs proletárixs. Junto a esses três elementos há mais um: a partição “real” entre Incluídos e Excluídos, em que estes últimos, como parte de parte alguma, excluídos “efetivos” do capitalismo, encarnam a nossa potencial e tripla exclusão universal. Daí não serem quatro aqui os elementos, mas três mais um: é do atravessamnento dos três primeiros pelo último que estes ganham seu cunho revolucionário, anticapitalista — comunista. É esse real transpassamento que permite que o nós somos proletárixs não tenha a falta de gume de um “Je suis Charlie”.

2) a “classe trabalhadora” seria hj tripartida: trabalhadores intelectuais, operários clássicos e excluídos. Articular a classe trabalhadora — e, assim, supondo que este sintagma ainda nomeia o sujeito revolucionário — seria hj articular esses três elementos.

Note-se que o que há em comum entre 1) e 2) são os excluídos. Talvez seja por aí que se deva pensar a articulação entre as duas dimensões do sujeito revolucionário (supondo ainda que possamos dar essa formulação…). Talvez seja instrutivo também para pensar esse problema outros dois elementos da nossa conjuntura, que me limito a mencionar:

i) a fetichização dos excluídos e da classe trabalhadora por parte da (intelectualidade, dos trabalhadores intelectuais) esquerda e a capitulação auto-identitária frente ao primeiro desmentido diante dessa imagem, dessa fantasia. O “somos todos Amarildo (ou Claudia)” e o caso Daciolo são duas faces dessa questão.

ii) a discussão sobre as organizações políticas em que nossos militantes estão inseridos fora do CEII, ao menos se essas apresentações se colocarem explicitamente a questão da articulação dos elementos do sujeito revolucionário mencionadas mais acima.

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