NOTA #7 [27/10/2015] (RJ I)

Como começar uma nota?

Apesar do pouco tempo em que estamos tendo nas reuniões para a leitura do texto do Alain Badiou, é possível perceber que depois de um longo trabalho em conjunto, primeiro com o texto da Hipótese Comunista e depois com o texto do São Paulo, o Século se apresenta como um texto mais mastigável e mais maleável do que os anteriores. Talvez pela certa intimidade conquistada com a escrito do filósofo ou pela facilidade de se expressar diferente dos outros dois textos – vale lembrar que os dois primeiros documentos são livros ou artigos articulados como tais, enquanto que o segundo parece ser uma série de conferências nas quais o caráter oral deve prevalecer.
Acredito muito que a sistematização e a feitura de quadros sinópticos e articulativos ajudam e muito a nossa compreensão fazendo que cada um não fique tão perdido de início e que começa a pensar a partir de modelos também – uma boa visualização permite começar uma boa construção teórica.
Nessa reunião do dia 27/10 foi discutido o poema do século que parece que está em um dos escritos do Agamben, se eu não me engano no O QUE É CONTEMPORÂNEO? (talvez valha a pena postar os versos aqui a título de fim de nota):
Meu século, minha fera, quem poderá
olhar-te dentro dos olhos
e soldar com o seu sangue
as vértebras de dois séculos?
Enquanto vive a criatura
deve levar as próprias vértebras
os vagalhões brincam
com a invisível coluna vertebral.
Com delicada, infantil cartilagem
é o século neonato da terra.
Para liberar o século em cadeias
para dar início ao novo mundo
é preciso com a flauta reunir
os joelhos nodosos dos dias.
Mas está fraturado o teu dorso
meu estupendo e pobre século.
Com um sorriso insensato
como uma fera um tempo graciosa
tu te voltas para trás, fraca e cruel,
para contemplar as tuas pegadas.

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