Nota #8 [11/02/2014]

Durante o encontro, a discussão sobre a parresia inclinou-se, em alguns momentos, para uma interpretação do franco falar como o dirigir um enunciado de conteúdo verdadeiro, porém desconhecido ou anteriormente velado, para alguém e sobre esse alguém. Alguns pontos que discutimos, no entanto, deslocam o sentido da parresia e tocam na questão da verdade de outra forma que, a meu ver, permitem, como fez Foucault, aproximar essa noção do trabalho do analista.
É interessante a distinção entre a parresia e uma fala que tenta demonstrar, convencer ou ensinar. A fala só é verdadeira quando ela é necessária, quando se diz o que se tem que dizer e como se tem que dizer. Não se trata de alguém que diz uma verdade que sabe, mas de uma verdade que se produz no próprio ato da fala.

Foi dito também que a parresia seria parte das práticas do cuidado de si e que se torna uma noção cada vez mais central para o autor. Se o dizer verdadeiro liberta o sujeito interpelado, a própria enunciação da verdade é um ato de liberdade daquele que diz que retorna sobre o esse sujeito. Trata-se de um trabalho sobre si que possibilita o dizer verdadeiro, dizer esse que coloca em risco (morte, transformação?) o parresiasta.

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