NOTA #8 [25/04/2017] (RJ I)

Ainda que a noção de causa opere na filosofia desde antes disso, costuma-se atribuir a Aristóteles a primeira sistematização desse conceito — sistema este que, diga-se de passagem, talvez não por acaso seja constituído através de uma pequena história do pensamento que o precede. Como se sabe, tal sistematização resulta na concepção de que haveria quatro causas, assim comumente denominadas: a causa final, causa eficiente, causa formal e causa material. Sabe-se ainda que na modernidade — sobretudo na ciência moderna ou, ao menos, na física e na química — prevaleceu a causa eficiente e as demais perderam ou, antes, uma interpretação desta. Pois o que se chama causa eficiente em Aristóteles é a causa do movimento; na modernidade, esta é a causa que produz o seu efeito porque: 1) tem tanto ou mais ser que o efeito; 2) é dada anteriormente no tempo ao efeito, quando não é “anterior” ao próprio tempo enquanto tal (o caso de Deus); 3) sem ela o efeito não se produz (causa necessária) e/ou basta ela para que o efeito se produza (causa necessária e suficiente); 4) dadas todas as causas, é possível deduzir os efeitos “reais”, e não apenas possíveis (o Deus de Descartes é mais complicado nesse ponto). A última reunião discutiu um conceito de causa que subverte esses 4 pontos, ao que parece: 1) a relação ontológica entre causa e efeito não é (necessariamente) de quantidade de ser (qual seria então?); 2) a causa é posta como pressuposto por uma interpretação do efeito no interior de uma narrativa — sendo, pois, posta no passado a partir de um projeto de futuro; 3) a sua relação com o efeito depende do engajamento do sujeito na história que a inclui (o que, no mínimo, faz a necessidade “interna” à história dependa de uma decisão em certa medida “externa”); 4) as causas não estão dadas, mas são um tamponamento “interpretativo” para uma causa ausente. Se é assim, o que responde por essa mudança? A introdução do sujeito tal como a psicanálise o entende? E só valeria para esse âmbito ou também para uma ontologia geral — nomeadamente a que incluiria o sujeito? (Desenvolvo mais em outra oportunidade, porque o SG já está aqui no chat dizendo — com razão — que a entrega de minha nota está atrasadíssima)

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