NOTA #8 [29/08/2017] (RJ I)

Para Concluir

Em “Manifesto pela Filosofia” Badiou denuncia a condição de sutura da Filosofia Contemporânea, o positivismo suscitado pelo modelo científico se expressa na sutura da Filosofia com a Ciência, onde prevalece a relação “Sujeito-Objeto”. “As filosofia suturadas à condição política, quer dizer, as variantes do velho marxismo, ou bem afirmam que o sujeito ‘emerge’ da objetividade […] ou bem, mais consequentes, destituem o Sujeito em favor de uma objetividade.” (BADIOU, 1991) Já os filósofos suturados ao poema ou as artes, dizem que o pensamento dispensa tanto Sujeito quanto Objeto. Para Badiou “esta tipologia deixa um lugar vazio: o de um pensamento que manteria a categoria do sujeito, mas concederia aos poetas a destituição do Objeto.”(BADIOU, 1991) Portanto podemos observar que para Badiou a tarefa de pensar um Sujeito sem Objeto deve ser a tarefa ou o passo a mais da Filosofia. Talvez seja por isso que Badiou pretenda resgatar categorias da Filosofia Moderna que foram postas à margem pelo pensamento contemporâneo tais como o Sujeito, o lugar do subjetivo, o papel da metafísica, dentre outras.

Desta forma, é possível pelo nosso breve estudo propor duas questões em relação ao acontecimento diante do Ser para Heidegger e o Sujeito para Badiou: A primeira diferença é que para Heidegger, o acontecimento está ligado a própria dinâmica de desencobrimento do Ser, para Alain Badiou o acontecimento cria a possibilidade de um Sujeito. Em segundo lugar, parece que o acontecimento é dotado de tamanha força que suspende tudo o que está dado em um estado de enquadramento (Gestell) para nesta suspensão abrir o pensamento para um novo enquadramento possível. Já para Alain Badiou o acontecimento por se caracterizar como algo indeterminado, sem qualquer vínculo de causalidade e inesperado é a implosão do próprio enquadramento.

Assim para concluir afirmamos que: de maneira geral Heidegger aborda o acontecimento na esfera ontológica e Badiou aponta para uma dimensão subjetiva do acontecimento capaz de fazer surgir o Sujeito de uma ideia. No entanto, ambas as posições tem seu lugar comum na potência criadora do acontecimento.

 

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