NOTA #9 [19/09/2017] (RJ I)

Discordo da nota de trabalho NOTA #9 [18/09/2017] (RJ I): “O que teríamos para dizer para os habitantes da Rocinha que sofreram duas invasões em menos de uma semana? Se não tivermos nada para dizer em uma situação dessa, perdemos.” Nós não temos nada a dizer a eles e reconhecer isso é uma vitória. A partir do momento que pararmos de achar que temos coisas a dizer pra classe trabalhadora e pararmos para escutar o que ela tem a dizer, talvez seja um primeiro passo verdadeiramente comunista de nossa militância. Ficar nisso, caindo em uma falsa escuta inconsquente, é pós-modernismo. Mas tb não parar para escutar é vanguardismo estúpido (que aliás virou moda. Para criticar o pós-modernismo parece ser mais radical retomar um stalinismo vintage, do tipo valorizando o “matou foi pouco” – dito por gente que tem medo de matar até uma barata). Menos o que podemos “levar para elas” e mais como podemos nos organizar melhor a partir do que aprendemos com o convívio. Nunca me esquecerei do que disse Buzina Sisto em uma fala informal nos corredores do CEII: “A favela não precisa de consciência de classe, mas de organização”. A gente realmente precisa dizer alguma coisa pra essas pessoas?

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