NOTA CEII SP [01/02/2018]

[PARTE 2/4]
Por outro lado, não podemos nos esquecer também do setor financeiro. Esta figura non grata está demasiadamente vinculada às operações do orçamento público. Não é por acaso que o intervencionismo seja operado nas políticas econômicas do governo a fim de tornar mais lucrativas as demandas para esse setor. Agora, por exemplo, a dívida pública interna – que na verdade hoje é uma miscelânea de investimentos de credores estrangeiros – faz com que os tubarões do setor financeiro lucrem e defendam seu herói Levy.

Já é factível que os principais beneficiários do endividamento interno são os grandes bancos e investidores nacionais e estrangeiros. Segundo a Auditoria Cidadã da Dívida só com amortizações e juros o governo gastou em 2014 R$ 878 bilhões de reais ou 45, 11% do Orçamento Geral da União. Já em 2015, no exato momento em que escrevo, a dívida atinge R$ 671 bilhões, somando 47% dos gastos federais. O ajuste promovido pelos “ex-quase-socialistas”, dessa forma, só atingiu setores que envolviam os trabalhadores; nada se falou, por exemplo, de cortes com gastos da dívida.

A cartilha neoliberal, da qual Joaquim Levy é adepto, sempre sugeriu que a substituição desses investimentos e financiamentos seriam feitos pela iniciativa privada. Entretanto, num cenário de recessão técnica o que se percebe é a ineficiência dos serviços e a incapacidade de reação dos mercados. O resultado imediato de tal adoção político-econômica pelo PT foi à imediata remoção de direitos dos trabalhadores, aumento do desemprego, redução de salários por meio da perda de direitos sociais. A taxa de desemprego, segundo o IBGE, somou 8,1% em apenas três meses e, dado a recessão em que mergulhou o país, essa cifra parece querer aumentar. A lista do ajuste fiscal incluiu também o aumento de tarifas públicas; o transporte público, a energia e a água foram reajustados para garantir a viabilidade lucrativa para determinados setores.

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