Nota CEII SP [02/08/0218]

Para Alain Badiou, uma exigência fundamental do pensamento atual é acabar com a filosofia política. Esta filosofia, cujo propósito é submeter o pensamento à política institucional, em seu fenômeno pretensamente universal, termina por fulminar toda a possibilidade de pensar a política de uma forma verdadeira, como um procedimento de verdade e de subjetivação.

Todos os rodeios da filosofia política são no fundo para justificar o “reino das opiniões” de que trata Platão, prescrevendo o que é a ética e o quadrante permitido do exercício do “livre juízo” no espaço público. Não é sem motivo que os autores emblemáticos da filosofia política, como Hannah Arendt, resgataram Kant para legitimar a consideração da política como um exercício público do juízo particular do cidadão. É curioso notar como a ascensão da filosofia política se dá no pós-guerra como uma corrente que buscava estabelecer as exigências de uma política “tolerável”, afastada dos fantasmas do totalitarismo.

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