NOTA CEII SP [05/04/2018]

Nunca dei tanta atenção para as placas de rua. Sempre carregavam nomes alheios, provavelmente de políticos profissionais. Carrego uma aversão anarquista aos monumentos sejam eles de quem for. A rocha artística do monumento é um abafador de ouvido frente aos gritos dos seus representados, uma lápide de sua história, um requiescat in pace e um sinal impertinente de que a memória de quem é representado foi absorvida. Hoje dezenove dias depois da morte de Marielle, ela já se tornou uma plaquinha pendurada. Esquecida? Quase. Não se viu ou ouviu nenhum sinal de rebelião. Tudo nos conforme. Segundo a sua assessora, testemunha e sobrevivente do assassinato, as últimas palavras de Marielle teriam sido: Ué! Um retumbante Ué que ainda ecoa. Ué que país é este? Ué que paz é esta?

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