NOTA CEII SP [05/10/2017]

Para o Badiou o sujeito não pode ser compreendido pelo cogito ergo sum cartesiano. O sujeito não é uma substancia, um ser, uma alma, uma coisa pensante, ele depende de um processo que começa, se desenvolve e termina. O sujeito não corresponde imediatamente ao indivíduo humano, não é a consciência, a fonte da significação e do sentido e tampouco é o resultado necessário de uma tal ordem social. O sujeito sequer é necessário. Na verdade, ele é a consequência da existência da verdade e da dialética entre ser e o evento. O sujeito é aquele que intervém na situação através da fidelidade que exerce em função do Evento-Verdade que ocorreu, ele surge após o evento. O sujeito é, portanto, uma consequência do acontecimento e não sua causa. O que o define é sua fidelidade, persistindo em identificar e discernir os traços do evento na situação. Longe de negar o trabalho realizado pelo estruturalismo, através da categoria de Evento, Badiou pode oferecer uma concepção de sujeito onde a agência política militante e a estrutura ontológica natural e histórica podem, eventualmente, estabelecer uma transformação das coisas.

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