NOTA CEII SP [05/10/2017]

Não deveria ser natural – embora infelizmente esse texto tenha que ser postado no Facebook – que um grupo crítico aceite sem críticas que sua ferramenta de comunicação principal seja a espetacularização facebookiana. Em primeiro lugar, o ruído causado por centenas de comentários traz grandes problemas quanto a própria organização e, porque não, ao engajamento. Em segundo lugar, esse mesmo ruído já demonstrou tornar infecundo a organização de atividade. Para assuntos importantes, parece-me que o e-mail ainda funciona sem os constantes gritos e postagens.

 

À guisa de conclusões

  1. o CEII é um espaço pequeno burguês de fuga (estratégica?), um hotel abismo que pode ser efetivo, a meu ver, se, em primeiro lugar, reconhecer suas limitações para a partir dessa limitação se suprassumir ao romper sua circularidade.

 

  1. o CEII é um espaço de reflexão masculinizado não só por adotar a forma-trabalho historicamente orientada tanto na militância quanto na academia, como também, por ignorar até aqui as questões feministas e a insensibilidade com as limitações de ser mulher numa sociedade patriarcal e machista.

 

  1. as ferramentas de comunicação têm, a despeito de seu objetivo, afastado os membros inclusive impedindo um engajamento dado o forte ruído no espaço facebookiano. O que gera trabalho para alguns e estranhamento a outros.

 

Com isso posto, o CEII seria um ótimo espaço se, se abrisse mais por meio de atividades que buscasse um público mais amplo, que não só iniciados, e começasse a manter uma distância crítica aos seus próprios pressupostos podendo abertamente reformulá-los à sombra da experiência. Se tivesse um objetivo francamente revolucionário de prover uma formação profunda a outros grupos que não os acadêmicos. Com atividades propagandistas e intervenção precisa nos debates candentes. Por fim, que mantivesse o terrível condão da práxis na qual a vida de seus membros não fosse alheia as atividades do grupo e o grupo não fosse apenas algo a parte funcionando uma vez por semana com o dever da entrega maçante de notas…

Já dizia o poeta:

Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar…

 

 

P.S: De todas as coisas ditas falta ainda muita coisa.

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