NOTA CEII SP [06/04/2017]

A crise chegou e trouxe à luz o que só se sentia no inconsciente coletivo da chamada esquerda. Tal como uma mãe conservadora que sabia que o filho fumava maconha, mas fingia não saber, a esquerda sabia que fracassava em tudo com seu bastião no poder: o PT. Como num relógio com ponteiros atrasados, experimentamos só muito depois – em descompasso com o mundo desenvolvido – o fracasso da experiência trabalhista. A degeneração imposta pela legalidade e rotinização da pauta dos trabalhadores, o fracasso modernista, mitológico desde a famosa Semana de 22, a noção de progresso teleológico rumo ao futuro desenvolvimentista encontravam agora limites incontornáveis. Atingíamos o beco sem saída.

Ainda que as gralhas de “esquerda” digam que é possível aplicar um modelo mais humanista ao capital com um governo capaz de levar as pautas sociais adiante por uma via parlamentar e democrática. Ainda que promovam imensos debates com os pensadores da moda do Facebook. Ainda que suprimam e abafem qualquer voz crítica e destoante do reformismo-conservador[1] e dos bons modos democraticistas no balcão de negócios chamado Estado. Ainda que queiram convencer a imensa maioria que a política se faz desse modo. Ainda que isso ou ainda que aquilo, só demonstram parvo desespero. Como diz o panfleto anarquista: “até no seu silêncio, a população parece infinitamente mais adulta do que todos os fantoches que se atropelam para a governar”. E aqui acredito que a retomada por minha parte das discussões do CEII é indispensável.

[1] Não o que avança, mas o que luta para manutenção.

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