NOTA CEII SP [06/07/2017]

Em A Loucura do Trabalho Dejours traz à tona o estudo do caso das telefonistas francesas, abordando um dos aspectos mais inovadores de sua obra, a exploração do sofrimento. Assim como Louis Le Guillant, Dejours estudou como as tensões psíquicas, inclusive patológicas, estavam relacionadas às demandas por produtividade. Negando-se a caracterizar as tensões e doenças mentais como resultantes de predisposições pessoais ou condições de vida, os autores demonstraram como a cobrança de metas individualizadas e o crescimento do controle sobre os trabalhadores e os processos produtivos, dentre outros aspectos, estavam na fonte dos sintomas detectados. Ao analisar a necessidade de rapidez nas operações das telefonistas, constataram que era fundamental que elas estivessem nervosas para que o trabalho ocorresse na velocidade prescrita. Ou seja, as doenças enfrentadas seriam necessárias para o bom andamento do trabalho e para a produtividade almejada.

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