NOTA CEII SP [08/02/2018]

[PARTE 3/4]
Para o PT foi necessário reacender a chama de sua militância em meio a uma súbita polarização que teve suas raízes no desgosto popular com as instituições burocratizadas do Estado em junho de 2013. Polarização que foi canalizada pela imprensa neoliberal cujo espetáculo foi garantido em tempo real, até por dancinhas coreografadas em alguns lugares do país. Em linhas gerais, a polarização ideológica permitiu que o pacotão do ajuste passasse sem grandes danos políticos. O mal menor promovido pela campanha publicitária do PT colou muito bem e trouxe alguns benefícios estratégicos à alguns setores econômicos que há muito vinham querendo implantar medidas radicais de cortes.

Tanto o PT quanto o setor defensor das medidas de austeridades se aproveitaram da polarização e concluíram um projeto neoliberal que passaria com muito mais dificuldades não fosse o fla-flu das ruas e redes sociais. Então, quem pagou por isso? Os próprios trabalhadores.

Parte da esquerda entrou, assim, num processo de esquizofrenia; defender um governo que faz melhor o serviço da direita. E isso trouxe como resultado uma espécie de levante reacionário virtual que, mediante as frustrações dessa esquerda, aproveitaram-se para construir a representação fantasmagórica de um inimigo interno comum.Tal como fizeram os fascistas. Além disso, tornava-se evidente que os setores conservadores e elitistas promoveriam um desgaste político para desequilibrar o governo. Mas, Dilma preferiu tentar a sorte beijando as mãos de setores que historicamente foram contra todo e qualquer tipo de avanço social.

A sonhada governabilidade agora cobra um alto preço, qual seja: aprovar todas as medidas impopulares do ajuste fiscal e se adequar as manobras impostas pelo PSDB para realização de um terceiro turno permanente como uma nova forma sofisticada de golpe. Além é claro de fazer silêncio ante a reacionária PLC 101/2015 que colocará os movimentos sociais sobre a mira da opressão legal para, com isso, garantir a aprovação de medidas mais radicais de cortes e culminar com o desaparecimento da população popular na decisão dos rumos do país.

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