NOTA CEII SP [08/03/2018]

“… A emergência de um mercado industrial de consumo interno de massas é algo que se dá entre nós apenas a partir dos anos 1950 e 1960…

É historicamente muito recente, enfim, em um processo que se dá mais fortemente a partir dos dados modernizantes e do estabelecimento da indústria cultural global local entre nós, pela via da televisão aberta ao instantâneo do satélite, e sua cultura rapidamente modernizada, a partir dos anos 1970, a experiência significante da plena integração e da atualização do país no exato momento do presente do sistema da mercadoria global, e sua fantasmagoria própria, o seu sonho ideológico, a nossa participação imaginária, ou real, no centro da experiência histórica contemporânea, em uma consciência muito próxima ao seu próprio significante.”

É interessante notar como o autor coloca nesse trecho o surgimento da indústria de bens consumo nacional e a inserção do Brazil no capitalismo globalizado. Quando ele cita “fantasmagoria própria” e “sonho ideológico”, fiquei refletindo sobre como tais elementos são essenciais para a propagação e aceitação das ideias capitalistas, mesmo que boa parte do população não tenha condições de consumir e, portanto, pouco participe desse processo. Mais a diante no texto, fiquei com a impressão que o governo do Lula foi um dos responsáveis por permitir que a população mais pobre participasse do capitalismo e seu “sonho ideológico” por meio do consumo e, portanto, ajudou na propagação de seus ideais, o que acaba sendo um pouco paradoxal, já que em tese, era um governo de esquerda.

 

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