Nota CEII SP [08/10/2019]

“(…) Se os senhores dão uma olhada no livrinho que se chama Televisão, onde os senhores observam a maneira como ele tratou, quer dizer, pela tentativa de uma matematização rigorosa, colocada à margem – há espécies de cocôs de moscas que estão na margem e que representam uma tentativa de dar a escrita lógica das diversas formulações de Lacan – é bem engraçado esse texto. Por que é engraçado? Porque é surpreendente que Lacan tenha, finalmente, falado! Se fosse suficiente colocar uma página em branco com as pequenas escritas lógicas na margem, não se vê por que seria necessária uma fala que, como se sabe, é sempre fonte de confusão. Só tinha que se calar! Mas o melhor, é que essa operação de lógica, nessa tentativa de dar uma escrita lógica de todas as inflexões do pensamento lacaniano, evidentemente, é uma maneira de fazê-lo calar-se, de eclipsá-lo, de expulsá-lo de sua própria fala, de eliminá-lo de sua própria fala como sujeito da enunciação. Sempre considero engraçado que fiquemos tão tímidos frente à análise desses fenômenos.” (Melman, Charles. Retorno a Schereber. Porto Alegre: CMC Editora, 2006, p. 72)

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