NOTA CEII SP #1 [17/08/2017]

“Na medida em que milhões de famílias vivem em condições de existência que separam seu modo de vida, seus interesses e sua cultura das demais classes, e as colocam em oposição hostil a estas últimas, elas formam uma classe. Na medida em que existe apenas uma interconexão local entre esses pequenos camponeses e que a identidade de seus interesses não forma uma comunidade, nenhum vínculo nacional, nem organização política entre eles, eles não constituem uma classe.” [45]

O campesinato vive esse problema comum, mas o próprio caráter do problema em si, assim como os meios de comunicação limitados dos camponeses e seu modo de vida localizado, significa que, embora formado como uma classe, ele não pode formar uma classe. Isso mostra o caráter estritamente relacional e auto-referencial do conceito de classe de Marx; os camponeses compartilham certos problemas (as flutuações de mercado dos preços de seus produtos, a competição, sua escravização ao capital por meio da dívida), mas as maneiras pelos quais estes são formulados e tratados são locais. [46] Embora isso possa criar ou manter fortes laços de comunidades locais e economias morais, a população camponesa como um todo é uma mera massa. Ela não encontra a coletividade em que esses problemas poderiam ser articulados como interesses comuns, onde as lutas cotidianas de cada família ou aldeia camponesa poderiam se tornar uma luta comum.

Lendo o trecho da nossa leitura acima, me pergunto se o mesmo não acontece atualmente com trabalhos modernos, como motorista de Uber ou profissionais que trabalham a distância, fazendo “home office”. Será que tais trabalhadores conseguem formar uma classe?

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