Nota CEII SP #1 [17/10/2018]

A noção de cultura é, por um lado, extremamente elitista quando quer excluir: isto é culto, isto não é. Por outro, é extremamente alienante quando quer incluir: tudo é cultura, não temos Cultura, temos culturas. Multiculturalismo é uma praga. Culturalismo é um veneno que, junto com a praga, intoxica a plantação. O multiculturalismo esvazia a noção de universalidade da experiência humana. O culturalismo está por trás de uma história de violência, invasões, vilipêndio em nome da Civilização contra a bárbarie. É um binômio assustador.

Mas no livro do Tales Ab’Saber não se trata deste binômio, mas exatamente do consumo da boa cultura (mercadoria) e da baixa cultura (mercadoria). O moralismo cultural de
Tales Ab’Saber é de um elitismo irritante: quando fala em “culturas muito baixas”,
quando fala de que forma é ou não adequado consumir aí sim parece impor – como os
países civilizados sobre os bárbaros – sua experiência de intelectual aos reles mortais:
viajar é luxo, comprar tênis é lixo, ouço nas entrelinhas do livro. O intelectual de classe
média que se coloca acima das classes (extratos) sociais critica a classe média e em um discurso populista assume que fala em nome dos 99% contra o inimigo comum e
fantasmagórico: a classe média.

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