NOTA CEII SP #1 [22/03/2018]

Breve reflexão sobre os Discursos do Laço Social:

O Discurso do Mestre é aquele que representa a entrada na linguagem e a alienação paga pelo sujeito por essa cisão (consciente/inconciente). Mas também é o discurso que exemplifica a relação Senhor-Escravo, onde há um imperativo ao trabalho por parte do Senhor, ao Escravo. Nessa relação quem mantém o saber (laisse-faire) continua sendo o Escravo, visto que o saber não pode ser apropriado pelo Senhor e pode ser que a partir desse ponto tenhamos o giro para o Discurso da Histeria, quando o sujeito começa a se questionar.

Nossa política, ao invés de promover esse giro, concretiza cada vez mais a relação do Discurso do Mestre, uma vez que há essa demanda de um líder carismático que saberá liderar as massas em torno de um discurso alienador.

O único giro possível nos discursos seria a entrada no Discurso do Capitalista, que caracteriza o imperativo ao gozo e a relação direta do sujeito com o objeto de consumo/gozo. Curioso que essa passagem do Discurso do Mestre para o Discurso do Capitalista, ou talvez, o vai e vem entre esses discursos, pode ser exemplificado no momento que o então presidente Lula vai à televisão “dizer as palavras mágicas, verdadeiramente encantatórias, para o mais prazeroso sacrifício que o povo brasileiro já realizou: todos devíamos continuar consumindo, se possível carros…” (Ab’aber, 2016, p. 29).

Temos aqui um Mestre encarnado na figura presidencial, que se comporta nesse momento como encarnação do imperativo de gozo pelo consumo, assumindo em sua postura o Discurso dominante na comtemporaneidade.

Não seria também essa a postura dos gestores brasileiros eleitos para ocupar cargos políticos? Um misto de Mestre e Capitalista? O empresário bem sucedido que se apresenta como aquele que sabe gozar de sua posição (detentor do dinheiro e por isso, consumidor voraz) e irá compartilhar isso com a população?

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