Nota CEII SP #1 [23/06/2016]

Conversando com um camarada do blog, comentei que uma das considerações que tirei de nossa leitura do texto sobre a Revolução Cultural de Badiou é que provavelmente parte do prestígio de Mao, e aquilo que o contrapunha à Stalin, era que Mao lutava contra as próprias figuras do alto escalão do partido, ao mesmo tempo que incitava o povo a não limitar suas atividades revolucionárias à forma “partido-estado”. Daí este camarada lembrou que Zizek chama Mao de “senhor do desgoverno”.

Entretanto, se não podemos confiar na forma “partido-Estado” (e aqui já temos um problema, pois não é certo se podemos reduzir o partido e o estado à mesma estrutura burocrática, pelo menos não em todos as circunstâncias históricas e sociais), quais seriam os procedimentos ou ações que “formalizariam” o processo revolucionário? Não acho que podemos prescindir da formalização, de sorte que somente repelir qualquer tentativa nesta direção como simples processo de burocratização não me parece suficiente. Para mim Badiou está bastante ciente desta tensão, e muitas de suas considerações ontológicas sobre o sujeito e procedimento falam deste problemas em termos muito interessantes. Assim, além da leitura de textos, nos pudessemos também elencar “pontos de investigação” sobre aquilo que lemos e assim aprofundar os temas que nos aparecem.

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