Nota CEII SP [11/10/2018]

Resistir! Resistir é acima de tudo não deixar que nos roubem a esperança. Muitos experimentam hoje o dessabor desse mal estar político e digo isto, também por conta da minha clínica, onde relatos de ódio, relatos de preconceitos, relatos de violências passam a se expressar em âmbito micro-físico num volume alarmante. Obviamente, será sempre condenável o enaltecimento de sofrimento e de violência expressos no cotidiano das pessoas sendo banalizados e normalizados. Mas resistir precisa ser mais do que consolo, cabe como um propósito – é perceber que há nessa resistência, uma luta necessária para subvertermos a realidade dada. E não por menos, ouvir essa resistência, é também conseguir fazer ouvir algo de subversivo dela. É não fazer caber tudo nesse resistir. Porque, foi também resistindo que normalizamos muitas violências simbólicas e materiais que hoje vemos sob o nome de realidade por aí. Foi resistindo que deixamos perder o que há de mais subversivo e radical numa democracia. Foi resistindo que vimos perder os propósitos mais equitativamente repartidos do sofrimento político.
Precisamos resistir para além disto, pararmos de resistir diante do irresistível do comum, e buscarmos novas coordenadas simbólicas para falar com os excluídos. É conseguir resistir, ouvindo o que mano brown disse em seu discurso. É ver que são muitos que não coadunam com o discurso bozonarista e que também, não topam cegamente as coordenadas anteriores no fazer político. E é preciso encarar isto! Uma resistência hoje precisa se dar conta dessa auto-crítica fundamental em nome de novos operadores contra a barbárie.

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