NOTA CEII SP [15/02/2018]

A relação entre ideia é normatividade é uma questão muito importante para o pensamento comunista e em especial aquele atrelado ao debate sobre o estado e o direito.

Em que pese as normatividades societais possuirem uma manifestação no campo psíquico, enquanto ideologia, sua existência não deriva da ideia em si.

A ideia, enquanto espaço metafísico do pensamento, resguarda uma abertura em relação ao ser e ao pensamento. As normatividades societais, por outro lado, derivam do conjunto de praticas, ritos e relações sociais constantemente reiteradas. As normatividades não dependem de uma ideia sobre elas, mas da realidade material que as sustenta, realidade está formada pela repetição de processos sociais específicos. É verdade, tal normatividade, que não é mais do que o substantivo derivado de taís práticas reais, tem como anverso uma específica subjetividade, constituída pelos mesmos processos sociais, práticas e ritos.

Portanto, a ideia não faz norma, ao menos a princípio.

Badiou nos adverte, entretanto, que é por meio do procedimento genérico do vir a ser de uma verdade que as ideias podem relacionar-se com as normatividades societais. A transformação radical de determinado mundo, ou situação, passa pela operação de uma ideia ou de uma verdade. A ideia, essa coisa impossível a priori, só chega ao mundo por um procedimento de forcamento e compatibilidade entre seu corpo e o mundo onde surgiu. Este processo de forcamento e compatibilidade, essencialmente militante, introduz na conta do mundo um novo termo, que reconstrói sua lógica.

É somente nesta reconstrução que a normatividade societal é afetada, já que é parte do mundo, já que emana do conjunto de praticas, ritos e relações sociais reiteradas.

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