Nota CEII SP [16/08/2018]

A palavra é o dever de poder.  Para a atualidade, talvez, não pareça tão evidente a relação direta da palavra com o poder. Nesta sociedade, a palavra é tratada como direito de poder, através de processos duvidosos de legitimação. Para nós a palavra é o dever de poder.

Dever de poder assim como para os zapatistas a única possibilidade de governar é através do mandar obedecendo. O dever de falar é um poder que deverá ser disseminado entre nós. Palavras que nos inspiram. Palavras que são poesia e que rompem com as tradições de uma linguagem burocrática. Nosso conflito político é feito por palavras, símbolos e legitimidades. Nosso conflito por outro modo de política é um conflito de sentidos.

Mas falar e ser escutado são coisas diferentes. Estamos acostumadas a escutar, agora passaremos a falar mesmo que nossos ouvintes estejam dispersos. Nossa linguagem não relega a uma posição secundária as liberdades sociais, pois evidencia a heterogeneidade e as particularidades presentes entre nós. Assumimos uma linguagem sincrética que pode se desdobrar numa forma teórica, literária, artística e até mesmo metafisica. Nossos ouvintes não como meros receptores de informação, mas forças com potências que se deslocam no tempo e no espaço variando suas formas de atuação multiplicando as possibilidades da palavra. Palavras que não olham de cima, mas lado a lado, com ouvidos e esforços.

Por último nossa palavra é dever de mobilização, de enfrentamentos na rua, de inspiração, de poesia e de tudo que seja capaz de potencializar as pessoas como sujeitas de suas próprias realidades. Mesmo algo metafísico, se for para colocar potência nas pessoas, no aqui e agora, no chão das nossas vidas e nas alegrias que fazem parte dela será bem vindo. Se engradece a luta do povo pela sua própria dignidade será parte do nosso poema partilhado. A ligação entre palavra e poder não será mais esquecida.

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