NOTA CEII SP [18/01/2018]

[Parte 1/4]
O cenário político brasileiro foi dominado pela lógica do espetáculo. A miopia teórica e política se expressa nas análises de “potencial crítico” que geralmente fazem coro com o governo. Em tempos de obscurantismo e guerra ideológica o que se perde é a análise crítica. No mar de defesa ou ataque ao bloco político poucos são os que escapam às tendências do espírito dominante. Qualquer voz que destoe dessa lenga-lenga é considerada inimiga. Tristes tempos.

Entretanto, a crítica deve se impor independente das escolhas feitas pelos gestores e técnicos da máquina estatal, independente da torcida ideológica e independente das vontades dos neoliberais ou keynesianos tupiniquins. Deve se impor porque se deve refletir sobre a lógica ilógica de valorização predatória e contínua do sistema econômico.

Sobre essa dinâmica que dominou o cenário político muito já se falou, inclusive em alguns casos com perspicácia. O que não se falou ainda foi que esse cenário de luta, entre gregos e troianos, favoreceu a aprovação de medidas e leis, à toque de caixa, que estão passando à revelia do mínimo debate público. Medidas e leis que fatalmente envolverão a todos e que foram privatizadas por algumas dúzias de fundamentalistas. Entendamos os motivos disso:

No início de 2014 havia se tornado evidente que a economia chinesa desacelerava, o que levaria fatalmente à prejuízo nas exportações de commodities brasileiro para o grande parceiro comercial. Em janeiro ninguém menos que George Soros – esse bom burguês – chamou a atenção, no Fórum Econômico Mundial de Davos, para o esgotamento do modelo de crescimento econômico chinês. No mesmo ano o nível das exportações brasileiras se comparado com 2013 diminuiu seguindo a dinâmica imposta pelas oscilações e vacilações do mercado global.

A política de valorização do real prejudicava, dessa maneira, o setor exportador ligado ao agronegócio. Por isso, a desvalorização da moeda seria o quinhão a ser pago pelo PT devido ao apoio recebido por grandes empresas em sua campanha. A JBS S/A, – principal financiadora da campanha de Dilma – cujo faturamento em 2014 foi de R$ 120 bilhões, dependia muito do enfraquecimento do real e da valorização do dólar.

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