Nota CEII SP [18/04/2019]

A ascensão global do populismo de extrema-direita revela um traço reativo do indivíduo individualizado, a contraparte político-subjetiva da crise estrutural objetiva do capitalismo contemporâneo, a negação ou deslocalização da política (Beck, 2012). No Brasil, por exemplo, os eleitores posicionaram-se contra o stablishment político e um arranjo de forças e interesses institucionais que remonta à década de 1990. Ao eleger um governo populista de extrema-direita, os brasileiros apostaram suas fichas contra “tudo isso aí” – o mote jocoso atribuído ao Presidente eleito Jair Bolsonaro, e que cumpria o papel de significante vazio para as demandas heterogêneas e flutuantes de seus eleitores. No limite, os votos em Bolsonaro foram votos de oposição ou protesto: “sob o fluxo dessa contínua desconfiança e decepção (…) os leitores pretendem condenar tais práticas viciosas das elites e dos partidos governamentais, considerados ‘incapazes’, cínicos, apegados a seus privilégios e desprovidos de coragem política” (Lipovetsky 2007, p. 36).

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