NOTA CEII SP [19/01/2017]

Para avançarmos na relação com o partido temos de superar a divisão entre trabalho intelectual e trabalho braçal. Tanto no sentido de não nos pensarmos como trabalhadores intelectuais, em contraposição aos trabalhadores braçais, quanto no sentido de não entender o estudo, a leitura e afins como trabalho puramente intelectual.

A máxima que parece ser importante para cada um dos membros do CEII interessados em pensar as tarefas necessárias para o tomada do poder é de que o que temos a oferecer ao partido (seja ele qual for, podendo até mesmo ser o próprio CEII) é prática. Nesse sentido, pensar as tarefas da tomada do poder é se colocar dentro dos movimentos, ao lado das pessoas, que estão pensando isto. Seja numa associação de pós-graduandos, de bairro, num movimento social por moradia, transporte, saúde, educação ou mesmo o braço eleitoral de um partido, a possibilidade de pensar os problemas está condicionada pela posição em que nos colocamos. Ou seja, se estamos fora de uma posição cuja função é achar problemas e soluções para a realização da mudança (ou seria melhor indeterminação, indiferenciação) das relações de poder ficamos presos no imaginário, fantasiando quais são as questões práticas (cotidianas, singulares) da esquerda hoje.

Continuo concordando que ser membro de um partido, movimento social ou similar não deve ser condição para a participação no CEII. Mas se o CEII é um espaço para pensar as tarefas necessárias para a tomada do poder acredito que a participação no CEII deve ter a finalidade de produzir a necessidade desse engajamento, se não para além do CEII, ao menos através do CEII. O que cabe  a nós é nos ajudarmos a criar essa necessidade e (tão importante quanto) as condições de possiblidade para o engajamento de cada um dos participantes.

O CEII é produto das contradições enfrentadas pela esquerda no capitalismo. Existem outras organizações, parte de organizações e pessoas tão enfaticamente preocupadas com os problemas que nos colocamos. Cabe a nós fazermos desses questionamentos difusos,questionamentos coletivos. Tenho convicção que não faremos isso sem estarmos engajados em organizações outras que não somente o CEII. Penso que não é obrigação de nenhum dos participantes fazer isso. Mas se nós podemos, nós devemos.

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