NOTA CEII SP #2 [19/04/2018]

Se no lugar do conceito clássico de cidadania, na perspectiva do bourgeoise do cytoen – respectivamente, autonomia privada e pública, ou cidadania civil e cidadania política –, a cidadania for hoje compreendida como a possibilidade de fazer escolhas livres(como foi bem observado na última reunião, 19/04), o que significa exatamente esta liberdade de escolhas na Contemporaneidade?

Para Salecl[1](2012, p. 17), a “escolha parece ser o mais opressor problema atual do capitalismo”. Se no espaço do consumo, o espectro de escolhas causa ansiedade e opressão, tanto maior é o sofrimento gerado por escolhas que podem empurrar o indivíduo para o “escanteio” social. Não há garantias, não há certezas. As escolhas e a sobrecarga individual da construção biográfica e identitária implicam em biografias e subjetividades de risco, suscetíveis a crisese sofrimento. Para Žižek[2](2012, p. 251),

(…) somos obrigados a escolher sem ter à nossa disposição o conhecimento que nos permitiria uma escolha qualificada; mais exatamente, o que nos torna incapazes de agir não é o fato de que “ainda não sabemos o bastante” (…), mas, ao contrário, o fato de sabermos demais e não sabermos o que fazer com essa massa de conhecimento incoerente.

Para Žižek[3](2011, p. 60-1), vivemos radicalmente os impasses de uma sociedade da escolha, com“múltiplos investimentos ideológicos na questão da escolha (…) nós nos vivenciamos ‘livres’ simplesmente quando somos capazes de agir do modo que nosso organismo determinou, sem nenhum obstáculo esterno para atrapalhar nossa propensão íntima”. Dialogando com este entendimento, a crise se instala porque somos impelidos pelo Mercadoa escolher e atuar individualmente sem, contudo,termos as “coordenadas cognitivas básicas necessárias para fazer uma escolha racional” (idem).

[1]SALECL, R. Sobre a felicidade: ansiedade e consumo na era do hipercapitalismo. 2 ed. São Paulo: Alameda, 2012.

[2]ŽIŽEK, S. Vivendo no fim dos tempos. São Paulo: Boitempo, 2012.

[3]ŽIŽEK, S. Primeiro como tragédia, depois como farsa. São Paulo: Boitempo, 2011.

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