NOTA CEII SP #2 [22/02/2018]

Questões políticas transformadas em questões administrativas

Embora o governo petista eleito como representante da esquerda tenha trazido algum temor inicial, para os defensores do capitalismo, diante da possibilidade de implementação de um governo que tendia ao socialismo, na prática pudemos observar a defesa do capitalismo em um modo intensificado, inclusive com a aplicação de propostas identificadas aos partidos de direita. Mas para além da concretização das políticas públicas que expressam essa contradição, podemos refletir sobre a despolitização de questões essenciais, transformando-as em questões administrativas. Por exemplo, a pobreza e miséria no país, fruto da concentração de renda típica dos países periféricos do capitalismo, foi tratada como questão de acesso aos programas beneficiários da Assistência Social e entrada no consumo (ainda que bastante limitado), deixando de lado a discussão sobre como ocorre a produção das classes miseráveis frente à organização estrutural político-econômica. Essa passagem das questões políticas para questões administrativas podem ser verificadas no cotidiano, em vários aspectos, temos como exemplo a saúde: seja na questão da Saúde Pública e Coletiva, quando não se questiona o papel que desempenha o SUS no financiamento de empresas privadas (contratos com a indústria médica de exames e medicação, a terceirização ou a retirada de recursos destinados à Saúde pela Desvinculação de Receitas da União – DRU), na forma de cuidado formatada pela perspectiva da medicina voltada para o mercado, mas que se restringe à questão do acesso e protocolos de atendimento; e claro, na forma de conduzir a própria política, fazendo com que a população não se inclua na política e entenda que somente pode exercê-la os políticos profissionais, que na atualidade são os gestores. Uma visão bastante neoliberal, que fortalece o sujeito empreendedor, empresário e bem sucedido como capaz de administrar de forma responsável a grande empresa que é o Estado. Igualam-se questões públicas (questões políticas) às questões de administração privada.

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