NOTA CEII SP #2 [22/03/2018]

Há uma crescente individualização da ordem simbólica, do “ponto de correlação da significância” (Tupinambá), da rede de referencias sociossimbólicas ou daquilo que Žižek chama de “constituição não escrita da sociedade”. Neste sentido um pouco mais amplo, menos ortodoxo (talvez) do Outro lacaniano, os indivíduos passam por uma crescente e universalizante experiencia de imediação com o Real, de imediação com a sociedade. Não por que não haja mais Grande Outro, mas porque as guidelines de ação e significação amiúde retornam para o indivíduo, que passa a ser medida de significação da experiencia social-individual. Isto traz um sentimento de abandono, de sobrecarga, de desorientação que é preenchida pela necessidade brutal de encontrar mestres, de encontrar lideranças carismáticas através das quais se possa alienar, às quais se possa entregar o destino de nossas vidas, continuamente vivendo sob o fetiche de que nossas vidas dependem apenas de nossa vontade, de nossa própria ação e capacidade de escolhas. Lula, como liderança carismática, não é um ponto fora da curva, não é sinal de uma exceção (Ab’Saber, p. 31-32), mas sintoma social que nos marca contemporaneamente, é que se expressará em outras lideranças além de Lula (mesmo que se sustente que uma maestria de Lula ao desempenhar o papel de liderança carismática.

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