NOTA CEII SP #2 [22/09/2016]

Isso da relação entre povo e partido era uma coisa que eu nem tava pensando. O que me incomoda com o partido é principalmente isso que a gente já experimentou no Rio e São Paulo. As pessoas que tão lá engajadas fazem tal compromisso com a estabilidade das forças internas de (frágil) coesão que chega ao ponto de uma crítica que convida a pensar o partido desde uma perspectiva filosófica seja tratado ou como artimanha para fazer uma oposição travestida de pensamento, que, supostamente, na verdade quer hegemonizar o partido e derrubar a atual hegemonia ou mesmo servir à hegemonia atual em desfavor dos opositores. Tem ainda o tarefismo e a urgência que afirma que o pensamento é um luxo que um partido “de luta” (seja lá o que raios isso quer dizer!) não pode se dar.

Dada a atual conjuntura e a proposta fundamental do CEII, que é ter seu pensamento constrangido pelo engajamento em um partido que pretende tomar o poder, tenho a impressão de que não conseguiremos levar a cabo esta proposta desta forma. O PSOL (e imagino que qualquer outro partido do nosso tempo) é refratário ao pensamento filosófico radical. Não acredito que conseguiremos nos engajar no partido como círculo de estudos ou, ao menos, não conseguiremos tonar indistinto o pensamento e a militância forçando nossa entrada fora da lógica do PSOL.

O pensamento, para um marxista obtusamente ortodoxo, é sempre um pensamento já posicionado. Minha experiência com todas as organizações partidárias de esquerda que participei foi de verem “ou intelectual orgânico da classe trabalhadora ou ideólogo da burguesia”. É como se tomassem a metáfora “esquerda e direita” literalmente e tudo aquilo que essa metáfora não abarca fosse tomado como um tipo ou de diletancia ou de falta de domínio das escrituras sagradas ou libertinagem autonomista/liberal, quando não tudo isso junto.

Tenho cada vez mais a impressão de que o Badiou ta certo: a filosofia é impossível hoje. Quem sabe seja interessante trabalharmos a partir dessa impossibilidade muito mais do que contra ela. Quem sabe, para tomar partido da Ideia Comunista, precisemos assumir que, ao menos em parte, nossa organização se opõe de maneira radical a outras organizações internas ao PSOL. Por mais que entendamos que não existe uma política propriamente comunista e trabalhemos para sustentar uma indistinção interna programática, me parece que para entramos nessa conversa precisamos fazer isso ativamente, respeitando a limitação do partido em assimilar uma organização que pretende pensar internamente ao partido sem tensionar uma disputa por hegemonia.

Se a lei do partido é dizer a sua crença para entrar então podemos responder que nossa crença é qualquer uma. Qualquer uma em relação à qual o partido pode se posicionar e a partir da qual podemos não corresponder a o que se espera dela.

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