Nota CEII SP [20/06/2019]

 

que quero dizer é que, para nós, analistas, o que entendemos por identificação, porque é isto que encontramos na identificação, naquilo que há de concreto em nossa experiência referente à identificação, é uma identificação de significante. [identification de signifiant]

 

Em oposição à identificação imaginária (vide o estádio do espelho (ao menos do jovem Lacan, antes da revisão com a inclusão da primazia do assentimento paterno) e a maturação do grilo peregrino). A imagem, diz Lacan umas páginas à frente, pode ser conceituada como qualquer arranjo que estabeleça uma relação biunívoca entre dois sistemas.

 

De Saussure esforça-se por precisar, como o faz sem cessar ao cercá-la, a função do significante, e vocês verão, digo-o entre parênteses, que todos os meus esforços não foram, afinal, sem deixar a porta aberta ao que chamarei menos de diferenças de interpretação do que de verdadeiras divergências na exploração possível do que ele abriu com essa distinção tão essencial de significante e de significado.

 

Hjelmslev…

 

Louis Hjelmslev (1899-1965), principal linguista do Cercle Linguistique de Copenhague. Sua formulação quadripartida do signo (decomposto em forma de conteúdo, forma de expressão, substância de conteúdo e substância de expressão) opõe-se àquela bipartida de Saussure e influencia o trabalho de Deleuze e Guattari, como explicitado em Mil Platôs. A fórmula do linguista dinamarquês estabelece um contínuo entre a linguística, a semiótica e os estudos da comunicação háptica e proxêmica, além de subjazer análises pós-críticas da obra do Lacan tardio (como em Ettinger).

 

a posição que tomo aqui está adiante, em vanguarda com relação à de Jakobson, no que se refere à primazia que outorgo à função do significante em toda realização, digamos, do sujeito.

 

É enquanto imagem que Lacan privilegia o exemplo do Saussure acerca do expresso 10h15 para fins de desnudamento da identidade própria do significante, identidade diferida, que só entra no real quando encadeada numa organização significante por intermédio dos seres falados.

 

As teorias da informação seriam, aos olhos de Lacan, tentativas de simplificar os desdobramentos da descoberta da cadeia do significante. O processo de “simplificação” consistiria na mera renomeação para informação do antigo conceito de forma. A “simplificação” é operada, ainda, quando se rejeita a originalidade eminentemente negativa (diferencial, do “corte”) do significante.

 

(A teoria da informação estuda a quantificação, armazenamento e comunicação da informação. Ela foi originalmente proposta por Claude E. Shannon em 1948 para achar os limites fundamentais no processamento de sinais e operações de comunicação como as de compressão de dados, em um artigo divisor de águas intitulado “A Mathematical Theory of Communication”. Agora essa teoria tem várias aplicações nas mais diversas áreas, incluindo inferência estatística, processamento de linguagem natural, criptografia, neurociência computacional, evolução, computação quântica, dentre outras. A medida chave em teoria da informação é a entropia. A entropia é o grau de casualidade, de indeterminação que algo possui. Ela está ligada à quantidade de informação. Quanto maior a informação, maior a desordem, maior a entropia. Quanto menor a informação, menor a escolha, menor a entropia. Dessa forma, esse processo quantifica a quantidade de incerteza envolvida no valor de uma variável aleatória ou na saída de um processo aleatório. Por exemplo, a saída de um cara ou coroa de uma moeda honesta (com duas saídas igualmente prováveis) fornece menos informação (menor entropia) do que especificar a saída da rolagem de um dado de seis faces (com seis saídas igualmente prováveis). Algumas outras medidas importantes em teoria da informação são informação mútua, informação condicional e capacidade de um canal.)

 

Da oposição diacronia/sincronia: para Saussure a linguagem pode ser estudada de duas formas: ou se privilegia sua apercepção estrutural (diferencial, na qual os fonemas e palavras existem apenas enquanto diferem uns dos outros) ou sua história.Essa oposição original, que efetivamente cria a linguística enquanto ciência, é, para o filósofo freudo-marxista Samo Tomsic, resultado da contradição interna do signo barrado.Lacan sugere uma outra oposição, entre diacronia de fato e diacronia de direito. Já a sincronicidade é insustentável porque admite implicitamente a encarnação do sujeito suposto saber (como a closure da bateria de significantes que é l’Autre).

Decorre desta impossibilidade do recurso à conclusão a distância entre Lacan e Hegel. O sujeito suposto saber, do qual os analistas devem aprender a prescindir, é aquele que “não sabia que estava morto”

 

Politzer?: Georges Politzer?

 

Wo es war, soll ich werden.

Sujeito da enunciação vs sujeito do enunciado: Je est un autre.

 

Je pense donc je suis. (Cogito ergo sum)

 

  1. A fórmula de Descartes nos interroga para saber se não há ao menos este ponto privilegiado do eu penso puro, sobre o qual nós possamos nos fundar.
  2. A fórmula parece implicar que seria necessário que o sujeito se preocupasse em pensar a todo instante, para assegurar-se de ser
  3. Não é o este ser pensante o particípio de um serpensar [êtrepenser], escrito no infinitivo em uma só palavra. conjugado: eu serpenso [j’êtrepense]
  4. Mas o ser já está contrabandeado nesta formulação, daí 2 maneiras de articular a vacilação da dúvida hiperbólica:
    1. Bretano: o ser não poderia apreender-se como pensamento senão de maneira alternante
    2. Caráter evanescente desse eu [je]: pois o primeiro passo Cartesiano seria um eu penso e eu não sou
  5. A temática cartesiana: logicamente injustificável, mas não irracional
    1. Ela não é mais irracional como o desejo não é irracional por não poder ser articulável
      1. Simplesmente porque ele é um fato articulado
    2. Dúvida cartesiana vs. dúvida cética:
      1. A dúvida cética se desdobra inteiramente no nível da questão do real
        1. Assim, não coloca o real radicalmente em questão
      2. Descartes coloca em questão o próprio sujeito
        1. E, embora não o soubesse, tratava-se do sujeito suposto saber
    3. O primeiro tempo da meditação cartesiana tem o traço de uma passagem ao ato
      1. Deus como verdadeiro do verdadeiro
        1. A verdade, portanto, poderia ser outra, no limite, o erro
          1. O que isso quer dizer?
            1. Nos encontramos em tudo aquilo que se pode chamar a bateria do significante, confrontada a esse traço único, a esse einziger Zug, na medida em que ele poderia ser substituído por todos os elementos do que constitui a cadeia significante, suportá-la, essa cadeia por si só, e simplesmente por ser sempre o mesmo

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