Nota CEII SP [10/01/2019]

Anti-esquerdismo de esquerda (01)

Parece haver certa recusa da esquerda de levar a dialética materialista às últimas consequências, isto é, ao ponto de colocar sob escrutínio intelectual os dogmas do pensamento escorado em ideais revolucionários clássicos. Reconhecem a modificação nos modos de produção, sua financeirização e globalização; reconhecem as modificações tecnológicas produtivas, de vigilância, de comunicação e assim por diante. Mas, de forma anti-dialética, recusam inserir em seus cálculos de ação política que a modificação nos modos de produção implica, necessariamente, em uma transformação da sociedade, da política e da subjetividade – como inferimos de Marx e Engels em “A ideologia alemã”. Assim, segue a esquerda tentando pensar a sociedade dissociada dos modos de produção capitalista ou, no limite, dando uma de leito de Procusto: deita a sociedade sobre o leito e o que sobra, corta-lhe fora. Em seguida, mostra orgulhosa como o leito é do tamanho perfeito.

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