NOTA CEII SP [21/09/2017]

O esquema Badioudiano que estabelece a situação e o estado da situação pode ser muito frutífero para o debate sobre representação, política e simbólica, e também no atualíssimo torvelinho identitário.

Há múltiplos que se apresentam na situação e também estão representados no estado. Há os que se apresentam mas não estão representados. É por fim há aqueles que não se apresentam, porém estão representados.

Para além da óbvia conclusão de que há múltiplos que não estão representados no estado e também aqueles que não existem porem estão representados, o que há de mais interessante é a noção de estado que desenvolve o autor.

É um estado ampliado, maior do que sua manifestação jurídica e institucional. Que representa. Fundamentalmente representa a situação existente. Em termos matemáticos: conta por um os múltiplos, lhes outorga consistência.

Nesse sentido, a luta revolucionaria seria pela destruição do estado, liberando a potência infinita dos múltiplos da situação. Em contrapartida, o reformismo e o identitarismo buscam representar o que não está representado ou excluir representações que não possuam correspondência de um múltiplo na situação. Suas demandas são meramente por representações do estado, nunca pela destruição do mesmo, da conta por um.

O evento, que é nome próprio do não-ser, é o que se subtrai totalmente a lógica da situação e de seu estado. O evento é o que escapa a conta por um, o princípio de sua transformação.

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