NOTA CEII SP [21/09/2017]

Sócrates lá atrás dizia que uma das manias mais corriqueiras num homem de letras é acreditar que porque sabe de alguma coisa, sabe de todas as demais. Sempre se corre um risco demasiado ao tornar os problemas políticos em problemas psicanalíticos. O ambiente torna-se um divã coletivo de abstrações parciais que dificilmente chegam ao cerne dos problemas que geralmente são óbvios. Claro, porém, que a psicanálise é um ótimo instrumento de desnudamento das relações, inclusive interpessoais. Foram muitos, durante o século XX, àqueles que a utilizaram como arsenal crítico, entretanto, ela tem seus limites principalmente quanto destaca-se das relações materiais em que são engendrados os traumas.

Desse modo, o CEII passou a me lembrar a lenda do cavaleiro sem cabeça só que, no caso, o CEII seria a cabeça à espera de um corpo político efetivo. Um coletivo de pequenos burgueses na ânsia de participar ativamente de uma atividade para além de sua insignificância política. Um coletivo tão afastado da vida comum das pessoas comuns que resta incapaz de expressar, mesmo na esquerda, alguma relevância prática. Em todo caso, isso nunca me desagradou, sempre busquei reverter o problema: se há centenas de grupos que buscam estar na vida comum das pessoas comuns e surtem poucos efeitos que se dão justamente na órbita da política entendida como eleição, por que não fazer diferente?

Nesse sentido, o CEII tornava-se em minhas reflexões um sintoma de época: pessoas bem formadas que, não obstante, dado o colapso do lulopetismo, não têm mais perspectiva de encontrar um corpo político capaz de dar vazão as mudanças que julgam necessárias. O problema é justamente pensar nisso como um problema, que é causado por não se atentar de fato ao que é o círculo.

O círculo traz assim alguns aspectos dos escombros da esquerda e repõe o que nega com mais força; a questão acadêmica. As ideias que circulam no círculo são de pouco acesso – e a bem da verdade; uma novidade até para universitários – são pesadas e densas. Não à toa, o conjunto no interior do círculo é formado majoritariamente por iniciados. Cada vez mais próximos a academia e ao debate francamente acadêmico – o que não é ruim – o círculo se aproxima de seu negativo que acaba por defini-lo por inteiro. Até aqui o círculo se fecha sobre si mesmo, em torno do seu próprio eixo e dificilmente se tornará uma espiral se não levar em consideração seus limites que começam a ser vislumbrados com o reconhecimento de si mesmo.

Esse é um dos aspectos mais aparentes.

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