NOTA CEII SP [22/02/2018]

O grande ato ocorrido em frente ao sindicato dos metalurgicos de são bernardo do campo foi importante por diversos aspectos. Para além dos chavões petistas, mesmo que tão recentes já tão velhos, embora verdadeiros, sobre Lula como o maior líder brasileiro, sua origem, as conquistas de seu governo, a ilegalidade de sua prisão, etc, está o fato de que o ato em são bernardo levou diversos matizes da esquerda a confluírem momentaneamente. É irrelevante simplesmente notar o poder daí advindo e seus usos políticos no devir.

Por seu poder, pela experiencia de união proporcionada, pelos horizontes um pouco mais elásticos manifestados (vide a tentativa de impedir Lula de se entregar, Lula falar em revolução mesmo que ceticamente, Lula dizer o que disse sobre Boulos, quase que lhe passando um cetro), este fato poderá mudar a correlação de forças entre a própria esquerda organizada. Setores dos diversos partidos passam a um estagio de proximidade com o petismo que só ocorrera antes da ascensão ao governo, isso já vinha se apresentando (vide o ato unitário de março/18 no RJ) porém foi representado, com o ato político. Por outro lado setores internos do próprio petismo, por sua vez, estarão mais adensados nas teses unitárias e na necessidade de aproximação militante com outras organizações de esquerda (para além de PC do B e PCO, PSOL e PCB). Isso pode afetar o estagio atual de dominação que exerce a elite partidária petista em relação às militâncias de base; outro aspecto central é que, tal ato, para o computo geral do conjunto da sociedade, neste tempo, não foi percebido como uma alteração dos subconjuntos sociais, ou uma mudança nas estruturas do conjunto social. Na realidade ele simplesmente alimentou a oposição binária da representação política brasileira do pós-2013.

A polarização atual é sintoma político da luta de classes profunda e seu estágio histórico, mas que se re-apresenta, no estado da situação, como uma falsa oposição que estamos carecas de saber que é falsa, pois o é entre capitalismo ou capitalismo. Queremos uma terceira pílula, o acheronte da situação há provê-la.

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