Nota CEII SP [23/08/2018]

como é possível pensar a política? E mais especificamente – como é possível pensar outro modo de política? Para nos aproximarmos de possíveis respostas a estas questões seguiremos um caminho teórico proposto por Lazarus, de fazer uma teoria política que não se limita por pensar a política a partir de uma continuidade histórica de acúmulos e transformações, mas que afirma a necessidade de uma inteligibilidade própria da política. (LAZRUS, 2017, p.43).

Ao afirmar que ideias ou modos políticos – como a própria ideia de revolução – são retomados em diferentes momentos históricos, a partir de condições e patamares diferentes, nós estamos afirmando que a política não segue uma trajetória única linear, mesmo que explicada dialeticamente pelas contradições entre as classes. Pensar a política é enunciar o real indicando que há diversos processos de problematização e, portanto, uma multiplicidade de racionalismos dinâmicos e singulares, não totalizável (LAZRUS, 2017, p.66 e p.76).

Ao nos arriscarmos a pensar outro modo de política necessariamente estamos percorrendo caminhos teóricos que nos levem a tentativa de conceber a política para além dos polos de Estado e mercado nos quais a política atualmente está cercada.  Para Lazarus “a tentativa de conceber a política fora do Estado ou da economia é uma tentativa de liberdade e de um campo próprio de decisão” (LAZRUS, 2017, p.56).

Para arriscar um modo outro de política se faz necessário aprofundar a dupla identificação do Estado, tanto como um procedimento de operação quanto de determinação. Enquanto determinação, o Estado é o reflexo das sociedades de classe. Como operação é o próprio poder. Estas duas operações interligadas associadas ao estado impossibilitam qualquer possibilidade de neutralidade do Estado. “Estado não é o nome de uma totalidade, é o produto de uma dialética”. Ou ainda, Estado é a facção que se sobrepôs na disputa pelo poder.

Desta maneira a política aqui pensada vai além da arte de governar. A política sustenta dimensões complexas do social que fazem parte um circuito de afetos, concepções, atitudes, organização, lutas e toda uma diversidade de situações que não se resumem a compreensão do Estado, das classes ou a gestão do social. O nome política é uma invenção sequencial e rara que se desenvolve num modo histórico, que corresponde a uma sequencia e a lugares. (LAZRUS, 2017, p.131).

A política como invenção nos abre para a questão se é possível inventar ou nomear um modo histórico de política como potência? Porque, se temos este modo de fazer política que claramente nos produz tédio, melancolia e asco, será que é possível vislumbrar outro modo de fazer política agora? Tivemos outros modos no passado, mas e neste presente – que o mercado com suas demandas de agenciamentos empresariais se faz presente nas diferentes camadas da sociedade – é possível pensar outro modo de produzir relações políticas?

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