Nota CEII SP [23/09/2019]

“O impasse da globalização é sentido de maneira mais forte em países como a Rússia, que, por assim dizer, tem o pior dos dois mundos: o “totalitarismo” comunista e o liberalismo capitalista. Na década de 1940, Theodor Adorno mostrou que, no “mundo administrado” do capitalismo tardio, a noção freudiana clássica do eu como instância mediadora entre dois extremos, as pulsões interiores do id e as restrições sociais exteriores do supereu, não é mais operante: o que encontramos na chamada personalidade narcisista de hoje é um pacto direto entre supereu e id à custa do eu. A lição básica dos chamados “totalitarismos” é que as forças sociais representadas na pressão do supereu manipulam diretamente as pulsões obscenas do sujeito, ultrapassando a instância racional autônoma do eu. Nessa mesma linha, é um equívoco interpretar a situação russa atual como um cenário em que se deveria atingir um equilíbrio entre os dois extremos: o legado comunista da solidariedade social e o jogo cruel da competição do livre mercado (…)” (ZIZEK, S. O Absoluto Frágil. São Paulo: Boitempo, 2015, p.72)

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