Nota CEII SP [26/07/2018]

Cada vez mais encontro pessoas dispostas a seguir o lulismo cegamente, nesta última semana me deparei com a seguinte frase no Facebook: “Se Lula disser pra votar em poste eu voto!”. A frase foi reafirmada por diversos seguidores do lulo-petismo, mas esclarecendo que o poste seria Hadad.

Sobre isso podemos retomar a crítica de Lacan sobre as manifestações de maio de 1968, em uma reflexão de Zizek:

A fórmula crítica e sucinta de Lacan sobre os eventos gloriosos de Maio de 1968 foi que “la vérité fait la greve” [A verdade está em greve]: “Com o peso da verdade sobre nós em cada instante de nossa existência, é uma sorte ter com ela apenas uma relação coletiva”. Foi como se, numa versão estranha da inversão que caracteriza o ponto de capitonê, a série de verdades com que cada um de nós tem de lutar, os sintomas individualizados, tivesse sido trocado por uma grande verdade coletiva. Sigo a verdade e não tenho de lidar com outras verdades. É claro que essa verdade coletiva não é verdade nenhuma: nela, a verdade está em greve, a dimensão própria da verdade está suspensa. Essa situação não poderia durar, e deveríamos nos considerar afortunados porque o novo poder que surgiu depois do colapso dessa verdade foi tão tirânico quanto o precedente (ZIZEK, 2012, p. 246).

Enquanto isso, esperaremos o retorno do velho-novo mestre, seja ele na própria pele, ou encarnado nos candidatos de “esquerda” que o defendem, sabendo que seguir a “verdade” desse mestre nos trará o alívio para nossos sintomas, situação da qual, inclusive, os analistas não estão de fora.

Referência

ZIZEK, S. Vivendo no fim dos tempos. São Paulo: Boitempo, 2012.

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