Nota CEII SP [27/06/2019]

Lembro que numa tarde de outono, eu caminhava ao lado de um professor de Teoria Crítica, lá na Universidade Federal de São Paulo, íamos falando sobre Marcuse e Adorno. O horizonte do Pimentas ainda não abrigava os cinzentos prédios do boom imobiliário que viria sacudir a região – como; o minha casa, minha dívida – e obrigar os desabrigados pela especulação a irem para minha cidade. Quanto a mim, eu era só um rapaz recém-chegado à filosofia com 67 quilos, muitas dúvidas e grandes esperanças.

Lembro como eu o admirava; primeiro, pela sua sincera simplicidade e, depois, por sua aversão as pompas e títulos acadêmicos. Numa certa altura, sem propósito algum, lembrando de algo sobre Adorno, ele me disse: “A verdadeira inteligência é companheira da humildade!”, de todos os conceitos que discutíamos – dos quais nem me lembro mais – foram essas as palavras que guardei.

Quando hoje vejo que parte da esquerda usa a cópia dos currículos para justificar certa posição (ou a falta dela) me dá vergonha e sei: não há inteligência nisso. Dane-se Harvard. Isso é uma miséria levada pela forma de vida curricular neoliberal, o símbolo mais radical de nosso colonialismo espiritual. Tenho vergonha!

Quanto ao professor, o homem mais inteligente que conheci, quanto ao seu currículo, menos de uma página de Lattes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *