Nota CEII SP 27/09/2018

” A mentalidade da especialização reproduziu na ciência o método característico da técnica industrial: a divisão do trabalho não só em especialidades, mas em especialismos. Do mesmo modo que o operário foi perdendo qualquer relação com o sentido social do seu trabalho no Modo Capitalista de Produção, o cientista moderno (tecnocientista) foi perdendo qualquer conexão (e depois até o interesse) pelos fins tanto ideológicos quanto práticos e éticos dos resultados da sua investigação. Daí a multiplicação dos comitês de ética.
O método que dividiu a ciência em especialidades contribuiu como nenhum outro método anterior para a produtividade científica. Sua expansão ocorreu paralela à expansão da produção de mercadorias. Deixou-se de lado tanto uma concepção do ser humano como totalidade quanto uma concepção unitária do mundo. Progressivamente se afirmou a neutralidade da ciência e, com o tempo, sua universalidade se reduziu à disciplina estudada e depois só a uma parte dela. Desse modo, é preciso ser rigoroso na consideração das possibilidades da interdispolinaridade, a fim de evitar reduzi-la à simples soma das disciplinas individuais. Isso pode conjurar a tentação de adotar logo à primeira vista o arremedo de composição taylorista que encontramos nas práticas analisadas.”
(Costa-Rosa, A. Atenção Psicossocial além da Reforma Psiquiátrica. Editora Unesp, 2013, pp. 132-133)

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