NOTA CEII SP [28/09/2017]

Outro assunto relevante e muito debatido é a falta de companheiras no CEII, ou o abandono da maioria. O espaço ceiiano é ele todo masculinizado. Por espaço masculinizado entendo um ambiente hostil as atividades artísticas e repleto da forma trabalho sustentado pelo valor. Dado ao próprio domínio dos corpos e sua “alienação educativa” o CEII repete nisso não só o que há de pior nos espaços acadêmicos, como o que há de pior nos espaços dedicados a militância de esquerda. Falta música, falta arte. Falta formas de lidar com um texto para além de sua utilidade no entendimento dos conceitos. E apesar de seu divã diário, a tensão libidinal é rara. Com todo o filisteismo que grassou na esquerda, o CEII foi também uma vítima e nunca se encantou por poesia.

Naturalmente esse é só um dos aspectos. O outro seria a inexistente discussão feminista no interior do grupo naquilo que toca a própria forma do estudo em seu amplo escopo. Criar espaços heterodoxos de discussão e trazer outras formas de decantação de um texto deveriam assim guiar uma outra práxis teórica.

Há ainda outro aspecto que é a insensibilidade – nesse caso inclusive em outras camadas – da vida concreta dos membros. Quer dizer, como ser mulher e participar de um coletivo? Como ter filhos sendo mulher e participar de um coletivo? Como os membros desse mesmo coletivo refletem sobre esses problemas? E qual é a importância desse coletivo para a vida dessas mulheres?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *