NOTA CEII SP [28/09/2017]

O conceito de sujeito de Badiou tem aspectos extremamente peculiares diante da tradição ocidental. Para o autor, o sujeito não corresponde imediatamente ao individuo humano, nem tampouco é o resultado necessário de uma tal ordem social.

Fruto de suas condições historico-geografica (frances, 1937-, filosofo, de esquerda, etc.), Badiou viveu as consequencias das teorias estruturalistas, notadamente a althusseriana, para as quais o sujeito era um produto de uma interpelação da ordem social, ou de constituição do sujeito a partir das estruturas da sociedade, no caso althusseriano, constituídos enquanto sujeitos através da interpelação ideológica. De alguma forma, o conceito de sujeito nessa acepção imobiliza a pratica militante e a atividade do individuo material, menosprezando sua experiencia enquanto tal. De forma mais calibrada: se por um lado denuncia o humanismo, o voluntarismo, o politicismo e o economicismo, por outro sabota a ação revolucionária.

Pois bem, o sujeito badioudiano também não é a forma cartesiano-kantiana do sujeito burguês. O sujeito de Badiou é o fiel ao evento, ao não-ser, e portanto, é um caso raro. O procedimento de uma verdade é o que constitui em sujeitos os individuos humanos e não o ergo cogito sunt. O sujeito não é simplesmente inerente a condição humana,

O sujeito do evento é assim um conceito determinante para a reconciliação entre os fatores da ação revolucionária e as determinações e sobredeterminações da estrutura social.

Não por acaso para Badiou uma das principais tarefas da filosofia seja investigar as verdades singulares que sejam importantes para os procedimentos de verdade que constituem os sujeitos.

Interessante notar que a felicidade real de que fala Badiou, é uma noção de felicidade para além da satisfação e dos prazeres já em forma de mercadoria. A felicididade real é o prazer profundo de ser um fiel, portanto de ser sujeito. Acho que Badiou, no fim, nos diz que Lenin foi feliz, e muito.

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