NOTA CEII SP #3 [21/09/2017]

Dunker num breve artigo sobre Freud e a Revolução Russa pontua o seguinte: “O ponto crucial aqui é como o regime soviético teria inibido a prática da crítica tornando as obras de Marx semelhantes à Bíblia e o Corão. Disso decorreria, para Freud, a hipótese de uma sociedade sem “fricções” e de um engajamento livre e não compulsório no trabalho, ideais que se apoiam na hostilidade de pobres contra ricos e na dos oprimidos contra os poderosos. Tal transformação da “natureza humana” seria altamente improvável. A compensação para sua irrealização poderia estar na criação de um inimigo externo, que cumpriria o papel de explicar o caráter incompleto da revolução. Surge assim, no interior do bolchevismo, a promessa religiosa de que os sacrifícios de hoje serão compensados por um futuro melhor que vai ressarcir seus fiéis, com o reino de Deus na terra. É nessa medida que Freud antecipa o contra-argumento bolchevique: mas como então transformar os seres humanos sem usar a compulsão coercitiva da proibição de pensar e aplicação de violência, até mesmo o derramamento de sangue? Diante desta pergunta Freud recua e responde humildemente: “não sei”.”

Poderíamos discutir um pouco sobre este ponto. Acredito que seria interessante colocarmos essas questões em jogo.

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